Gabriele D’Annunzio

Gabriele D’Annunzio (12 de março de 1863 – 1º de março de 1938) foi um dos mais famosos escritores, poetas e dramaturgos italianos da virada do século XIX para o século XX. Além da carreira literária, desenvolveu intensa atividade militar e política: foi soldado, aviador, dirigente político, cujas ideias e ações anteciparam em muitos aspectos o fascismo italiano.

Alguns de seus principais romances foram publicados ainda nos últimos anos do século XIX: Il piacere (1889), L’Innocente (1892), Il trionfo della morte (1894), La vergine delle rocce (1899), Il fuoco (1900). D’Annunzio continuou sua bem-sucedida produção literária até a I Guerra Mundial. Sua principal obra poética é a coleção lírica Laudi del cielo del mare della terra e degli eroi (1899). O terceiro livro desta série, Alcyone (1904), é considerado por muitos sua maior obra poética.

Em 1897, foi eleito, em uma legenda da esquerda, para a Câmara dos Deputados para um mandato de três anos. Durante a campanha eleitoral, fez um célebre discurso no qual criticou o socialismo e defendeu a propriedade privada.

Por volta de 1910, seu estilo de vida extravagante e dispendioso o forçou a fugir para a França, com o fim de livrar-se dos credores.

Com o início da I Guerra Mundial, D’Annunzio retornou à Itália e fez discursos públicos a favor do ingresso da Itália ao lado dos Aliados. Apresentou-se como voluntário, alcançou celebridade como piloto de caça, e perdeu a visão de um olho num acidente aéreo. Destacou-se por alguns feitos de guerra que ganharam certa repercussão na opinião pública, como seu voo de ida e volta, num total de 700 milhas, para lançar panfletos de propaganda sobre Viena, realizado em agosto de 1918.

Após o término da guerra imperialista, em setembro de 1919, liderou um exército nacionalista voluntário de 2.000 italianos e tomou a cidade de Fiume (hoje Rijeka, na Croácia), forçando a retirada das tropas aliadas americanas, britânicas e francesas que a ocupavam. O objetivo era forçar a Itália a anexar Fiume, mas, em vez disso, o governo italiano iniciou um bloqueio, exigindo a rendição das tropas. D’Annunzio então declarou Fiume um Estado independente, proclamando-se “Duce”. Finalmente, em 25 de dezembro de 1920, depois de um bombardeio da cidade pela marinha italiana, ele e suas tropas se renderam.

É ao episódio de D’Annunzio em Fiume que se devem atribuir os rituais exteriores que caracterizariam os fascismo italiano nos anos posteriores: a saudação romana, o diálogo da sacada com a multidão, o culto aos mortos, o grito de guerra “eia eia alalà” etc. A constituição de Fiume (Carta del Carnaro), promulgada em 30 de agosto de 1920, também previa alguns elementos que seriam encontrados mais tarde no regime fascista — Estado corporativo, sindicatos controlados pelo Estado etc.

Nos dois anos que antecederam a Marcha sobre Roma e a vitória do fascismo, a popularidade de d’Annunzio na Itália superava a de praticamente todos os outros líderes políticos, incluindo Mussolini. Todavia, sua falta de espírito prático e de realismo político o impediu de capitalizar politicamente a ampla base de apoio de que gozava no país, especialmente entre os jovens e os ex-militares. Em 1924, com o fascismo agora firmemente no poder, D’Annunzio retirou-se para a vida privada, em Gardone Riviera, na Lombardia, e passou o resto de seus dias em profundo isolamento.

Mussolini nunca perdeu a oportunidade de recordar o quanto o fascismo devia a D’Annunzio. Um exemplo típico disso foi a decisão de financiar a publicação das obras completas do poeta, em 1926. Em 1937, D’Annunzio foi eleito presidente da Academia Real Italiana. Morreu em 1º de março de 1938, e Mussolini concedeu-lhe funeral de Estado.

Gabriele D’Annunzio
Gabriele D’Annunzio
País de Nascimento

Itália

Nascimento e Morte

12/03/1863 – 01/03/1938

Família

Resumo

O escritor pode ser considerado uma espécie de mentor intelectual do fascismo.