Jerônimo Barbalho Bezerra

Jerônimo Barbalho Bezerra foi o líder da Revolta da Cachaça, que ocorreu em 1660 no Rio de Janeiro. A revolta foi um dos sintomas da crise da indústria açucareira no final do século XVII. Décadas depois o foco econômico do Brasil sairia do açúcar para os minérios.

Pouco se sabe da vida de Jerônimo. Segundo a tese acadêmica “Entre a sombra e o sol, a Revolta da Cachaça, a Freguesia de São Gonçalo de Amarante e a Crise Política Fluminense (Rio de Janeiro, 1640-1667)”, da UFF, ele foi um dos filhos menos celebrados do governador do Rio de Janeiro Luis Barbalho Bezerra, nascido em Olinda. 

A família passou a residir no Rio de Janeiro e tinha propriedade em Ponta do Bravo, na atual cidade de São Gonçalo. Foi nesta cidade que Jerônimo iniciou as conspirações da Revolta da Cachaça.

A revolta tinha como objetivo protestar contra os impostos exigidos pelo governador Salvador Corrêa de Sá e Benevides, da tradicional família Sá, que controlava a política e a economia do Rio de Janeiro. A revolta foi apoiada pelos senhores de engenho marginalizados de São Gonçalo e Niterói, contrários aos impostos pesados que Sá e Benevides impôs para cobrir o déficit nos cofres do Rio de Janeiro.

Esses senhores de engenho também protestavam contra o monopólio industrial de Portugal na produção de vinho e aguardente, sendo que a produção da cachaça era proibida no Brasil.

Ao mesmo tempo, a revolta foi apoiada por militares e outros funcionários públicos de baixo escalão, que estavam com salários atrasados.

Em 8 de novembro de 1660, Jerônimo liderou revoltosos, que atravessaram a baía da Guanabara e convocaram a toque de sinos o povo a se reunir diante do prédio da Câmara Municipal, exigindo o fim da cobrança de taxas e a devolução do que já havia sido arrecadado. A insurreição fez com que Tomé de Sousa Alvarenga, tio do governador e em exercício durante sua ausência, tivesse de ceder e fugir no Mosteiro de São Bento. No entanto, foi feito prisioneiro.

Grande estrategista militar, Salvador Corrêa contratou um exército de bandeirantes paulistas na Capitania de São Vicente e, com ajuda da administração colonial baiana, que enviou tropas, reprimiu os revoltosos.

Em 6 de abril de 1661, as tropas de Salvador Corrêa retomaram o Rio de Janeiro, cercando a cidade pelo litoral, enquanto o militar e capitão do Sul brasileiro invadiu a cidade pelo interior. Os revoltosos foram presos sem resistência. Todos os líderes foram presos e enviados a Portugal, com exceção de Jerônimo Barbalho, único condenado à morte, que foi decapitado e sua cabeça afixada no pelourinho .

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Revolta da Cachaça no Rio de Janeiro | UFF
País de Nascimento

Brasil

Nascimento e Morte

?/?1616 – 6/4/1661

Família

Filho do governador do Rio de Janeiro Luis Barbalho Bezerra

Resumo

Proprietário de terras em São Gonçalo e líder da Revolta da Cachaça, um dos sintomas da crise da economia açucareira no Brasil