Stálin, José

Josef Vissarionovich Dzhugashvili, conhecido mundialmente pelo pseudônimo Stálin (1878-1953) foi um militante comunista russo responsável pela contra-revolução termidoriana após a Revolução Russa de 1917. Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética após a revolução até outubro de 1952, ele foi responsável por usurpar o poder da classe operária russa e colocar o Estado soviético, assim como a III Internacional, sob controle de uma burocracia reacionária.

Infância

Josef Vissarionovich Dzhugashvili nasceu em 18 de dezembro (6 de dezembro, no calendário juliano usado na Rússia imperial na época) de 1878 na cidade de Gori, na Geórgia, então parte do Império Russo. A cidade pertencia à província de Tiflis, onde havia uma grande variedade de grupos étnicos – georgianos, armênios, russos e judeus.

Gori tinha pouco mais de 5 mil habitantes e compartilhava dessa diversidade cultural do Cáucaso, uma vez que, situada numa região montanhosa entre o mar Cáspio e o mar Negro, servia de passagem entre a Ásia e a Europa.

De origem georgiana, o jovem Josef cresceu falando a língua de seu povo. Ele era filho de Ekaterina Geladze e Vissarion Dzhugashvili, um sapateiro que tinha a fama de ser violento com a mulher e o filho. O homem tinha sua própria oficina de sapato e sustentou a família inicialmente. Com os negócios indo mal, tornou-se alcoólatra e violento contra os familiares, que se separaram do homem (que acabou morrendo numa briga de rua).

Ekaterina, uma mãe extremamente religiosa, colocou o jovem Josef desde cedo para participar do coro da igreja. Determinada a mandar seu filho para estudar e virar sacerdote, a mãe solteira passou a trabalhar como costureira e lavadeira para juntar dinheiro.

A situação familiar era muito difícil. Não havia segurança financeira. Três outros filhos do casal morreram cedo. Stálin, na verdade, foi o único filho do casal que sobreviveu. A varíola, porém, quase o matou e deixou-lhe sequelas.

Logo jovem, com o esforço de sua mãe, ele consegue entrar na escola religiosa de Gori, onde termina seus estudos em 1894, aos 16 anos. Ele ganha uma bolsa de estudos para o Seminário Teológico, de linha ortodoxa, em Tiflis, capital da Geórgia, onde ele começaria o treinamento para se tornar padre.

Interessado em literatura, mas tendo que fugir da censura dos monges do seminário, utiliza o nome Soselo para publicar poesias no jornal Iveria, de Iliá Chavchavadze, escritor georgiano de maior importância do país e figura influente do nacionalismo burguês georgiano. Os poemas de Stalin, muito influenciado pelo movimento nacionalista da região, traziam temas relacionados à glorificação da Georgia e à história da região.

Com o passar do tempo, com o regime ditatorial interno dos monges sobre os estudantes do seminários, que eram privados de seus direitos, Stalin passa a perder interesse em ser padre e começa a se indispor com as autoridades religiosas.

Primeiras atividades políticas

No seminário, Stalin começa a participar de um grupo de estudos proibido pelos monges, onde ele e os companheiros se dedicavam a ler escritos censurados pela instituição, particularmente a literatura populista e das gerações anteriores (que hoje são clássicos da literatura russa). Um dos principais autores comentados era Nikolay Chernyshevsky, escritor do início do populismo e liderança política na luta contra o czarismo na década de 1860, que escreveu “Que Fazer?” (o livro inspirou a obra “O que fazer?” de Vladimir Lênin e inúmeros outros marxistas russos).

O grupo se reunia para ler também clássicos do movimento operário europeu, como Karl Marx. É a partir deste grupo de estudos que Stalin passa a se alinhar com o marxismo e o movimento comunista. A Geórgia, país atrasado sob o controle do reacionário Império Russo, estava apenas começando a ter acesso a este tipo de escritos – num momento em que, em todo país, estouravam nos grandes centros urbanos grandes mobilizações estudantis e operárias contra o czarismo.

Assim, Stalin passou a frequentar reuniões de trabalhadores e grupos socialistas da Geórgia, particularmente o grupo ligado influenciado pelas ideias de Silibistro Jibladze, fundador do Mesame Dasi, uma das primeiras organizações social-democratas do Cáucaso.

Na época, porém, não se tratava de uma organização revolucionária, mas de “um círculo de pessoas com ideias semelhantes centradas em torno do jornal legal Kvali, que em 1898 passou das mãos dos liberais para as mãos dos jovens marxistas”, conforme disse Leon Trótski, dirigente da Revolução Russa de 1917.

Em abril de 1899, Stalin deixa o seminário e vai procurar outro emprego.

Algumas biografias buscam apresentá-lo, nesta época, como um grande dirigente revolucionário, o que, entretanto, não condiz com a realidade. Stalin ainda estava aprendendo os princípios do marxismo e tendo suas primeiras relações com o movimento operário. Ele era uma figura secundária do movimento até mesmo na atrasada Geórgia, onde qualquer dirigente revolucionário mais consciente ganharia rapidamente grande influência.

Em sua biografia sobre Stalin, Trótski refuta a ideia de que Stalin era um grande líder entre os círculos que frequentava e mostra que, apesar das organizações secretas, o georgiano se mostrou passivo em sua década de formação em instituições religiosas.

“É verdade que nas instituições educacionais czaristas muitos jovens de pensamento livre foram obrigados a levar uma vida dupla. Mas isso se refere principalmente às universidades, onde o regime, no entanto, era caracterizado por uma liberdade considerável e onde a hipocrisia oficial foi reduzida a um mínimo ritualístico. No ensino médio, essa divergência era mais difícil de suportar, mas geralmente durava apenas um ou dois anos, quando o jovem via à sua frente as portas da universidade, com sua relativa liberdade acadêmica. A situação do jovem Djugashvili era extraordinária. Não estudou em instituição de ensino laica, onde os alunos ficavam sob vigilância apenas parte do dia e onde a chamada ‘Religião’ era na verdade uma das disciplinas secundárias; mas em uma instituição de ensino fechada, onde toda a sua vida foi submetida às exigências da Igreja e onde cada passo dele foi dado aos olhos dos monges”. (Stalin, 1940)

“Para suportar este regime por sete ou mesmo cinco anos, foi necessária uma cautela extraordinária e uma aptidão excepcional para a dissimulação. Durante os anos de sua permanência no seminário, ninguém percebeu qualquer tipo de protesto aberto por parte dele, qualquer ato ousado de indignação. Josef ria de seus professores pelas costas, mas nunca era imprudente na cara deles. Ele não deu um tapa em nenhum pedagogo chauvinista, como Jibladze havia feito; o máximo que ele fez foi retrucar ‘com um olhar de desprezo’. Sua hostilidade era reservada, dissimulada, vigilante”. (idem.)

Enquanto na década de 1890, greves tomavam conta da Rússia e chegavam ao Cáucaso, Stalin continuou relativamente secundário, participando de uma reunião ou de outra e lendo sobre o assunto com círculos socialistas, ainda muito influenciados pelos economicistas, que na época travavam uma luta dentro do movimento social-democrata contra Lenin.

Stalin começa a participar de atividades consideradas ilegais na época, como impressão de panfletos, agitação, etc. sob a liderança do ex-poupulista Victor Kurnatovsky, que travou a luta contra o economicismo na social-democracia cáucasa e levou o Iskra, fundado por Lênin, para a região. Ao contrário do que dizem algumas biografias, foi ele, e não Stalin, quem levou a política leninista para a região – à qual Josef aderiu.

Em 1900, Kurnatovsky fundou o Comitê de Tiflis do Partido Social-Democrata. Stalin participa do movimento para organizar um ato de 1º de Maio em 1901, que foi brutalmente reprimido pela polícia. O líder é preso, enquanto Stalin consegue fugir da polícia, que havia ido buscá-lo no observatório em que trabalhava como meteorologista. Ele passa a ter uma vida clandestina a partir daí.

No final de 1901, Stalin é eleito para o Comitê de Tiflis e torna-se responsável pela atividade de propaganda em Batum, uma cidade portuária localizada no Mar Negro, após causar problemas na seção de Tiflis. Em Batum, Stalin trabalhou com as organizações secretas já existentes e ajudou a expandir os círculos. Estabeleceu-se uma gráfica da organização na cidade, para aumentar o trabalho de agitação.

Em Batum, após a greve da Rothschild contra a demissão de centenas de trabalhadores, a polícia reprimiu os operários, que organizaram atos de ruas contra as prisões, levando a um confronto entre eles e a polícia, que assassinou 13 manifestantes. Por mais que sua participação nos eventos seja obscura, Stalin estava na organização que dirigia o processo, sob a liderança de Kurnatovsky, e foi preso.

Em 1903, o governador de Tiflis condena 16 presos políticos ao exílio na Sibéria. Como era tradicional, os nomes foram listados de acordo com com a gravidade da ofensa ou a culpabilidade do ofensor, e seu local específico de exílio na Sibéria era correspondentemente melhor ou pior.

Os dois primeiros, ou seja, os dois mais perigosos para a burguesia foram os dirigentes das greves e mobilizações, Kurnatovsky e Franchesky, que foram condenados a quatro anos. Em seguida, nos outros 14, Jibladze foi o primeiro e Stalin, o 11º. Ele, portanto, não tinha sido o dirigente principal das manifestações, como alegam as biografias stalinistas falsificadoras.

Stalin é condenado a 3 anos de exílio, onde chegou em novembro de 1903. Ele realizou uma tentativa de escapar, mas quase morreu congelado e teve de retornar para adquirir vestimentas mais quentes. Em julho deste ano, o partido realiza o seu II Congresso, onde a organização se divide entre bolcheviques (maioria, liderada por Lênin) e mencheviques (minoria, liderada por Martov) – em que os primeiros defendiam um partido centralizado com militantes com deveres, e os segundos defendiam uma forma oportunista de organização, sem centralização e reais deveres aos militantes. Stalin não esteve presente.

Em janeiro de 1904, na sua segunda tentativa, Stalin conseguiu fugir e voltou para Tiflis. Ele participou da conferência das organizações Transcaucasianas e foi atuar em Baku, onde se juntou aos núcleos já existentes, sob a liderança de Avel Yenukidze. A cidade proletária, pela sua característica, era um ponto dominado pela ala do partido ligada a Lênin.

No período após a fuga do exílio, Stalin conhece Lev Kamenev, aliado de Lênin, que foi provavelmente quem o converteu ao bolchevismo.

Em novembro de 1904, uma conferência bolchevique é convocada em Tiflis, composta por quinze delegados de organizações locais do Cáucaso. A conferência foi uma declaração de guerra aos mencheviques e ao comitê central conciliador [da região, representado por Leonid Krasin]”, segundo Trótski (Stalin, 1940), pois pretendia pressionar por um novo Congresso do partido contra os mencheviques. Stalin, porém, não foi eleito delegado para o evento, mas Kamenev, dirigente bolchevique, sim.

A conferência elegeu uma direção, na qual Stalin também não foi eleito.

Os eventos citados até agora servem para desmistificar a falsificação da história pelo stalinismo, que após a tomada do poder pela burocracia de Stalin passou a apresentá-lo como um grande organizador da classe operária, quando na realidade ele não dirigia nem as ainda insignificantes organizações do Cáucaso.

Por mais que fosse um militante dedicado que ficou, desde 1901, na ilegalidade, ele não teve papel dirigente na organização do Partido Operário Social-Democrata Russo na região, nem da ala bolchevique. Tanto é que ele não configura nas correspondências de Lênin com os militantes do Cáucaso naquela época.

Revolução Russa de 1905

No estouro da Revolução Russa de 1905, a classe operária toma conta, em movimentos grevistas, nos grandes centros urbanos do Império. Pela primeira vez, contra a repressão do Czar ao movimento democrático de fevereiro, formam-se os Sovietes – conselhos deliberativo de todos trabalhadores.

Stalin, porém, passou batido pela revolução, uma vez que, por mais que o movimento fosse geral e tivesse uma influência nas regiões atrasadas, como a Geórgia, estes locais estavam muito distantes do centro da luta política. Sua contribuição foi simplesmente a publicação de alguns poucos artigos sobre os eventos, onde nem mesmo a formação dos Sovietes são colocadas, isto é, deixa de lado um dos principais fenômenos da revolução.

Da mesma forma, ele estava em Baku quando estoura a luta de armênios e azerbaijaneses. Também, neste quesito, a participação de Stalin foi a publicação de alguns artigos denunciando a repressão do Czar às etnias oprimidas dentro do Império Russo.

“Em 1926, a comissão oficial sobre a história do Partido publicou uma edição revisada – isto é, adaptada à nova tendência pós-leninista – de materiais de base sobre o ano 1905. Dos mais de cem documentos, quase trinta eram artigos de Lenin; havia aproximadamente o mesmo número de artigos de vários outros autores. Apesar de a campanha contra o trotskismo já estar se aproximando de seu paroxismo de raiva, o corpo editorial dos verdadeiros crentes não pôde evitar de incluir na antologia quatro de meus artigos. Ainda assim, ao longo das quatrocentas e cinquenta e cinco páginas, não houve uma única linha de Stalin. No índice alfabético, que incluía várias centenas de nomes, listando qualquer um que fosse de alguma forma proeminente durante os anos revolucionários, o nome de Stalin não apareceu nem uma vez; apenas Ivanovich é mencionado como alguém que compareceu à Conferência de Tammerfors do partido em dezembro de 1905. Notável é o fato de que, até 1926, o conselho editorial ainda ignorava o fato de que Ivanovich e Stalin eram a mesma pessoa”. (Stalin, 1940)

Desta forma, como mostra Trótski, a grande participação de Stalin no evento revolucionário nacional foi ter se deslocado à Conferência de Tammerfors, na Finlândia, em dezembro de 1905, com centenas de outros militantes, para discutir a situação política da Rússia com os novos acontecimentos.

Ele, porém, ainda não conhece Trótski, que havia liderado a Revolução de 1905, sendo presidente do Soviete de São Petersburgo (Petrogrado), o mais importante da revolução, pois este estava preso após o fechamento do conselho pelas autoridades czaristas.

IV Congresso do POSDR

A discussão da conferência ocorre até o IV Congresso do partido, que ocorre em Estocolmo no ano seguinte, foi justamente sobre o fim da revolução e a participação, ou não, dos bolcheviques na Duma, o parlamento oficial, burguês, concedido pelo Czar após as mobilizações de 1905.

Na conferência de Tammerfors, Stalin foi contra a política de Lênin de participar do processo, utilizando-se de todos os meios para divulgar a propaganda do partido. Porém, defendeu a posição do dirigente sobre a participação do partido em “expropriações” – assaltos a trens e empresas – para financiar o partido. Os bolcheviques – inclusive Stalin, que participa de seu primeiro congresso partidário – defendem esta política novamente no IV congresso, mas são derrotados pelos mencheviques.

“A participação bastante ativa de Ivanovich nos trabalhos do Congresso foi registrada em ata. [..] Ainda há dez anos, ninguém citava esses discursos, e mesmo os historiadores do Partido não tinham notado a circunstância de Ivanovich e o secretário-geral do Partido [Stalin, já depois da Revolução] serem a mesma pessoa. Ivanovich foi colocado em um dos comitês técnicos criados para saber como os delegados foram eleitos para o Congresso. Apesar de toda a sua insignificância, essa nomeação foi sintomática: Koba estava perfeitamente em seu elemento quando se tratava de tecnicalidades da máquina”. (Stalin, 1940)

Um dos pontos mais importantes do congresso foi a questão agrária. Enquanto Lênin defendia a nacionalização da produção agrícola, como forma de extensão de revolução, que deveria ser levada adiante pelos próprios trabalhadores; os menchevique, que defendiam uma revolução em aliança com a burguesia democrática e, portanto, uma reforma agrária para dar posse aos camponeses sem-terra, tornando-os pequenos proprietários.

No congresso, Stalin (Ivanovich) vai contra a posição de Lênin, num ponto crucial do problema revolucionário na Rússia. Por outro lado, concordou com o bolchevique contra uma aliança com a burguesia no processo revolucionário.

Apesar de já ter se encontrado com Lênin por duas vezes, Stalin mesmo assim não assumiu um papel de liderança no partido. Quando Lênin foi para Kuokalla e organizou a política do partido após a dissolução da Duma (golpe final do Czar contra o movimento) a partir de lá, Stalin não configurou entre os correspondentes do dirigente bolchevique.

Assim dito, a participação de Stalin no maior movimento político da época se limitou à sua participação em uma conferência e em um congresso. Apenas isso.

Stalin no período de reação

Em julho de 1906, casa com Kato Svanidze, com quem tem seu filho Yakov. Em maio de 1907, ele foi um dos mais de 300 delegados no V Congresso do partido, em Londres. Apesar de não ter sido eleito, Stalin foi apontado como delegado deliberativo, isto é, sem poder de voto, por Lênin, assim como outros 3 militantes.

“O mais notável, porém, é o fato de Koba nem uma única vez se valer da voz deliberativa que lhe foi concedida. O Congresso durou quase três semanas, as discussões foram excessivamente extensas e amplas. No entanto, o nome de Ivanovich não está listado nem uma vez entre os numerosos oradores. Sua assinatura aparece apenas em duas breves declarações de bolcheviques caucasianos sobre seus conflitos locais com os mencheviques, e mesmo assim em terceiro lugar. Ele não deixou nenhum outro vestígio de sua presença no Congresso. Para apreciar todo o significado disso, é necessário conhecer a mecânica dos bastidores do Congresso. Cada uma das facções e organizações nacionais se reunia separadamente durante os intervalos entre as sessões oficiais, elaborava sua própria linha de conduta e designava seus próprios oradores. Assim, ao longo de três semanas de debates, em que participaram todos os membros mais notáveis do Partido, a facção bolchevique não considerou conveniente confiar um único discurso a Ivanovich”. (Stalin, 1940)

“Entre os membros eleitos do novo Comitê Central, os bolcheviques eram Myeshkovsky, Rozhkov, Teodorovich e Nogin, com Lenin, Bogdanov, Krassin, Zinoviev, Rykov, Shantser, Sammer, Leitheisen, Taratuta e A. Smirnov como suplentes. Os líderes mais proeminentes da facção foram eleitos suplentes, porque as pessoas capazes de trabalhar na Rússia foram empurradas para a linha de frente. Mas Ivanovich não estava entre os membros nem entre os suplentes. Seria incorreto buscar a razão disso nas artimanhas dos mencheviques: na verdade, cada facção elegia seus próprios candidatos. Alguns dos bolcheviques no Comitê Central, como Zinoviev, Rykov, Taratuta e A. Smirnov, eram da mesma geração de Ivanovich e ainda mais jovens na idade real”. (idem.)

Ao final do Congresso, os bolcheviques elegeram secretamente uma direção, com Lenin, Bogdanov, Pokrovsky, Rozhkov, Zinoviev, Kamenev, Krassin, Rykov, Dubrovinsky, Nogin e outros. Mas Stalin ficou de fora.

Dentro da facção bolchevique, surgiu uma briga sobre a participação no Parlamento. Enquanto Bogdanov, Kamenev, Lunacharsky, Volsky e outros defendiam boicotar, Lênin e Rozhkov defendiam a participação. Stalin assumiu a posição de Kamenev.

Em panfleto intitulado “Sobre o boicote da terceira Duma”, Stalin escreveu que “o boicote é uma declaração de guerra aberta contra o antigo governo, um ataque direto contra ele”. Lênin, porém, polemizando com Kamenev, achava que esta posição era um erro, uma vez que era impossível, no momento, reverter a derrota da revolução, os bolcheviques precisariam se aproveitar da Duma para ampliar sua campanha e construir o partido. Ele, entretanto, foi derrotado inicialmente.

A posição leninista ganha apenas em conferência realizada em julho do mesmo ano, na Finlândia. Mudando de posição, Stalin não defendeu mais o boicote e seus artigos sobre o caso foram deixados no esquecimento.

No final de 1907, iniciou-se um gigantesco período de reação política, com censura à imprensa, ataques às organizações de trabalhadores e assim por diante. Parte da direção e da base do partido bolchevique desertou do partido diante das grandes dificuldades impostas. A mobilização das massas, passou a ser substituída pelo terrorismo individual.

Os bolcheviques aderem à política terrorista, apesar dos mencheviques terem ganhado a votação contra este tipo de ação. A política de Lênin em favor do terrorismo assumia a forma de movimento de guerrilha, estabelecendo uma certa conexão com o povo. Essa posição foi defendida por Lênin logo após a derrota da Revolução de 1905 em dezembro.

Em seguida, Lênin afirmou que era hora de utilizar as instituições burguesas (Duma) como forma de ampliar, saindo dos focos, a consciência das massas. Ele não nutria ilusões nas instituições e nem tinha como objetivo final conseguir eleger deputados; a política de Lênin era utilizar as instituições para fortalecer e ampliar a campanha do partido, fortalecendo e ampliando o próprio partido no momento de reação política. Mesmo assim, Lênin não abria mão do terrorismo como forma de financiar as atividades do partido.

Stalin se destaca como participante do terrorismo, novamente não como liderança, mas tendo participado de algumas “expropriações” durante os anos de 1906 adiante. Em março de 1908, Stalin foi preso em Baku. Ele é enviado ao exílio na província de Vologda, em fevereiro de 1909, de onde escapou em junho.

Em março de 1910, ele foi novamente preso e enviado para Vologda, onde tem um caso com Maria Kozakova, que mais tarde engravidou de seu segundo filho, Konstantin. Sua primeira mulher havia ficado doente em 1907 e morrido. Ele escapou novamente e foi para São Petersburgo, onde foi novamente preso e condenado a três anos de exílio em Vologda.

Stalin na direção do partido

Em 1912, o partido realiza uma conferência em Praga, na qual Lênin rompe definitivamente com o partido e forma o Partido Bolchevique (na realidade: Partido Operário Social-Democrata Russo – Bolchevique). Os bolcheviques elegem um comitê central com sete pessoas: Lenin, Zinoviev, Malinovski (posteriormente revelado como espião do governo), Ordzhonikidze, Spandarián, Yakov Sverdlov e Goloshchokin.

É criado uma direção executiva na qual Stalin é convidado a participar, apesar de estar em exílio. Koba, com Josef Stalin, ainda era chamado na época havia criado um prestígio diante de sua participação nas “expropriações”, assim como em sua característica de homem “prático”.

Durante o exílio, Stalin fez uma defesa da política de Lênin, contra os mencheviques e os que defendiam a união das duas tendências, os conciliadores, liderados por Trotski. Era o que ele defendia para Lênin. Enquanto que para os conciliadores, ele criticava Lênin e os mencheviques, afirmando que ambos estavam errados. Trotski, em sua biografia sobre Stalin, categorizou isso como política de “intriga”.

“É verdade que Stalin não se limitou a parafrasear Lenin. Amarrado por seu apoio aos Conciliadores, ele continuou a dobrar simultaneamente as duas linhas com as quais já estamos familiarizados em suas cartas de Solvychegodsk [na província de Vologda, onde estava exilado] – com Lênin, contra os liquidacionistas; com os Conciliadores, contra Lenin. A primeira política foi aberta, a segunda foi mascarada”. (Stalin, 1940)

De qualquer forma, ao ser informado de seu novo cargo, Stalin foge novamente do exílio, em direção a São Petersburgo.

“O papel real de Stalin – como de costume, nos bastidores – não é fácil de determinar: uma avaliação completa dos fatos e documentos é necessária. Suas funções como membro do Comitê Central em Petersburgo – isto é, como um dos líderes oficiais do Partido – estendiam-se, é claro, também à imprensa ilegal”. (idem.)

Essa atividade propagandista de Stalin – que segundo os falsificadores stalinistas, dirigiu na época tanto o Zvezda, quanto o Pradva – nunca havia sido amplamente mencionada até os “historiadores” oficiais ligados a Stalin mencionarem isso.

“O conselho editorial das obras de Lenin nomeia onze pessoas entre seus principais colaboradores na Rússia, esquecendo-se de mencionar Stalin entre eles. No entanto, não há dúvida de que ele fazia parte da equipe deste jornal e, em virtude de sua posição, era influente. […] Mesmo em um número especial, que em 1927, o Pravda dedicou ao seu décimo quinto aniversário, nem um único artigo, nem mesmo o editorial, menciona o nome de Stalin”. (idem.)

“Stalin aparecia em Petersburgo por curtos períodos de tempos em tempos, pressionava a organização, a facção da Duma, o jornal e novamente desaparecia. Suas aparições eram muito transitórias, sua influência muito típica de uma aparelho do Partido, suas idéias e artigos muito comuns para terem deixado uma impressão duradoura na memória de alguém. Quando as pessoas escrevem memórias de outra forma que não sob coação, elas não se lembram das funções oficiais dos burocratas, mas da atividade vital de pessoas vitais, fatos vívidos, fórmulas bem definidas, propostas originais. Stalin não se distinguia por nada parecido”. (idem.)

Mesmo dirigente do partido, num momento em que a classe operária retomava a luta grevista contra o czarismo, Stalin ficava de fora da discussão política, realizando apenas sua função de forma burocrática.

“Stalin não poderia ter deixado a impressão de sua personalidade no jornal pela simples razão de que ele não é um jornalista por natureza. De abril de 1912 a fevereiro de 1913, segundo os cálculos de um de seus associados íntimos, publicou na imprensa bolchevique ‘nada menos que vinte artigos’, o que é uma média de cerca de dois artigos por mês. E isso na maré alta de eventos, quando a vida colocava novos problemas a cada dia emocionante! É verdade que, no decorrer daquele ano, Stalin passou quase seis meses no exílio. Mas era muito mais fácil contribuir para o Pravda de Solvychegodsk ou Vologda do que da Cracóvia, de onde Lenin e Zinoviev mandavam artigos e cartas todos os dias.”

Em maio de 1912, Stalin foi preso novamente e condenado a três anos de exílio na Sibéria, onde ele compartilhou um quarto com seu camarada bolchevique Yakov Sverdlov. Após dois meses, os dois escaparam para São Petersburgo, onde grandes greves operárias aconteciam e as eleições para a Duma se aproximavam.

“Stalin não poderia ter exercido grande influência sobre a questão das eleições nas fases iniciais, quando era necessário entrar em contato direto com os eleitores, não apenas por ser um orador pobre, mas porque não tinha mais de quatro dias à sua disposição. Compensou isso desempenhando um papel importante ao longo das etapas subsequentes do sistema eleitoral multifacetado, sempre que era necessário reunir os representantes das cúrias e gerenciá-los puxando fios nos bastidores, contando com o aparato ilegal. Nessa atividade, Stalin sem dúvida se mostrou mais apto do que qualquer outra pessoa.” (idem.)

Após a eleição de seis deputados bolcheviques, em sua maioria trabalhadores inexperientes na política profissional, Stalin, na organização, buscou unificá-los com os deputados mencheviques, contra os apontamentos de Lênin.

A pedido de Lênin, Stalin vai à Cracóvia vê-lo. Enquanto o primeiro estava nervoso pela política conciliadora que estava sendo levada adiante na Rússia, o segundo buscava defender a política de unidade com os mencheviques, mas teve de recuar.

Em janeiro de 1913, os bolcheviques realizaram uma conferência para tratar sobre os deputados bolcheviques, a imprensa partidária e a atitude em relação aos mencheviques. A posição de Lênin ganha, no que Stalin ficou basicamente calado.

As crises apareciam no partido, com a acusação de que o dirigente Malinovski era um espião czarista e os bolcheviques na Rússia capitulando diante dos mencheviques. Para conter a crise de forma mais fácil, Lenin levou Stalin à Cracóvia novamente e ocupou-o, pressionando-o a escrever um artigo sobre as nacionalidades minoritárias e oprimidas – de onde sai o livro “O marxismo e a questão nacional”, assinado “Stalin”. O artigo ganhou uma certa popularidade e por isso, Josef, que atendia pelo apelido Koba (e tantos outros nomes clandestinos), tornou-se Stalin até o fim de sua vida.

Durante sua estadia com Lênin e fora de São Petersburgo, ocorreram mudanças no centro político do país. Sverdlov estava levando adiante a organização do trabalho dos bolcheviques e o Pravda estava com novos colaboradores.

“Na opinião de Lênin, o jornal foi muito mal conduzido quando Stalin estava no comando. Durante esse mesmo período, a fração da Duma vacilou em direção às conciliações. O jornal começou a se endireitar politicamente, somente depois que Sverdlov, com Stalin ausente, trouxe “reformas substanciais”. O jornal melhorou e ficou satisfatório quando Kamenev se encarregou dele. Da mesma forma, sob sua liderança, os deputados bolcheviques da Duma conquistaram sua independência política”. (idem.)

Ao retornar para São Petersburgo, em fevereiro de 1913, ele foi preso, apenas alguns dias depois de Sverdlov. Os dois, assim como Ordzhonikidze (em abril de 1912), outro dirigente bolchevique, estavam sendo delatados por Malinovski, membro do comitê central, mas que era de fato um espião czarista.

Guerra, exílio e tomada do poder

Em março 1914, sendo enviado a Kureika, no limite com o Círculo Polar Ártico, para continuar seu exílio Stalin se relaciona com Lidia Pereprygia, que em dezembro do mesmo ano gestou um filho do georgiano que logo morreu. Em abril de 1917, ela deu luz a mais um filho, Alexander. Em todo esse período, que vai desde 1913 até a revolução, que estoura em 1917, Stalin esteve exilado.

Nesse período, o partido bolchevique teve um profundo crescimento, interrompido pelo início da 1ª guerra mundial e com a entrada da Rússia no conflito imperialista, mas que retomou logo mais a guerra mostrou seu caráter reacionário, jogando milhões de trabalhadores à morte, no conflito ou pela profunda crise econômica causada.

Com o estouro da guerra, os bolcheviques vivenciam mais uma crise interna, com um setor do partido, principalmente os parlamentares, voltando a se juntar com os mencheviques, numa posição centrista diante do conflito bélica, enquanto Lenin realizava uma intensa atividade contra a guerra imperialista e pelo rompimento com a II Internacional, que reunia os partidos sociais-democratas que haviam apoiado a entrada de seus respectivos países na guerra.

Durante o exílio, que passa por este período, Stalin e Sverdlov tentam organizar um plano de fuga, mas são delatados por Malinovski e impedidos pelas autoridades. Por isso são enviados a regiões longínquas, como Kureika.

“Joseph Djugashvili e eu estamos sendo transferidos cem verstas [quase setenta milhas] ao norte – oitenta verstas [quase cinquenta e cinco milhas] ao norte do Círculo Polar Ártico. A vigilância é mais forte. Fomos separados da entrega do correio, que chega até nós uma vez por mês através de um ‘andador’ que frequentemente se atrasa. Na verdade, não temos mais do que oito a nove entregas de correspondência por ano”, escreveu Sverdlov a sua irmã.

“Meus arranjos no novo lugar são consideravelmente piores. Por um lado, não moro mais sozinho no quarto. Somos dois. Comigo está o georgiano Djugashvili, um velho conhecido, pois já havíamos nos encontrado em outro lugar no exílio. Ele é um bom sujeito, mas muito individualista na vida cotidiana, embora eu acredite em pelo menos uma aparência de ordem. É por isso que às vezes fico nervoso. Mas isso não é tão importante. Muito pior é o fato de que não há isolamento da família de nossos senhorios. Nosso quarto fica ao lado do deles e não tem entrada separada. Eles têm filhos. Naturalmente, os jovens passam muitas horas conosco. Às vezes, eles estão no caminho. Além disso, os adultos da aldeia aparecem. Eles vêm, sentam-se, ficam calados por meia hora e de repente se levantam: ‘Bem, eu tenho que ir, tchau!’ Assim que eles vão embora, outra pessoa entra, e é a mesma coisa novamente. Eles vêm, como que a despeito, na melhor hora para o estudo, à noite. Isso é compreensível: durante o dia eles trabalham. Tivemos que nos desfazer de nossos arranjos anteriores e planejar nosso dia de maneira diferente. Tínhamos que abandonar o hábito de ler um livro até muito depois da meia-noite. Não há absolutamente nenhum querosene. Usamos velas. Como isso fornece pouca luz para meus olhos, agora faço todos os meus estudos durante o dia. Na verdade, eu não estudo muito. Praticamente não temos livros … ”, conta Sverdlov.

De acordo com Boris Shumyatsky, militante bolchevique que estava exilado na mesma região, Stalin havia se separado dos outros exilados e já não mantinha relação, passando seus dias pescando.

“Stalin retirou-se para dentro de si. Preocupado com a caça e a pesca, vivia em quase total solidão … Praticamente não precisava de relações sexuais com as pessoas, e apenas de vez em quando ia visitar seu amigo Suren Spandaryan na aldeia de Monastyrskoye, voltando vários dias depois para sua. Ele estava poupando com suas observações desconexas sobre esta ou aquela questão, sempre que acontecia de estar em reuniões organizadas pelos exilados.”

Já Schweitzer, a mulher de Spandaryan, o terceiro membro do comitê central a ir para Kureika logo após o início da guerra, afirmou que desta vez Stalin havia aceitado ficar no exílio e aproveitado para escrever seu pequeno manuscrito que se tornaria seu artigo sobre a questão nacional. Assim, mesmo diante da guerra mundial, Stalin permanece de certa forma distante da crise central dos acontecimentos, buscando viver uma vida tranquila no exílio.

Em outubro de 1916, 18 bolcheviques, incluindo três membros do comitê central – Kamenev, Spandaryan, Sverdlov e Stalin -, foram enviados a Monastyrskoe para serem recrutados pelo Exército russo na guerra imperialista.

Quando estoura a Revolução de 1917, a maioria das lideranças bolcheviques estavam exiladas, presas ou fora do país. O partido bolchevique estava, de certa forma, dormindo. Em março, logo após o início da revolução, Stalin e Kamenev vão a Petrogrado (São Petersburgo), coração do movimento revolucionário, e lideram o partido a partir de lá, enquanto esperam a chegada de Lênin, Zinoviev e outros dirigentes. Sverdlov tinha capacidade de organização política, mas não consegueria realizar a tarefa; e Spandaryan tinha acabado de morrer na Sibéria.

Stalin e Kamenev assumem o Pravda, junto com o comitê executivo provisório que havia sido montado na ausência de qualquer dirigente em Petrogrado – Shlyapnikov, Zalutsky e Molotov – e colaboradores elaboraram uma política para o partido. Assim, Kamenev e Stalin declaram apoio ao governo provisório estabelecido com a queda do Czar Nicolau II – um governo de aliança entre os mencheviques e socialistas-revolucionários, que eram maioria nos Sovietes, e a burguesia liberal, que queria manter a mesma política do czarismo (por exemplo, deixar a Rússia na guerra).

Os dois, inclusive, defenderam por um curto período a manutenção da guerra que chacinou o povo trabalhador contra a Alemanha. “Todo o derrotismo”, explicou o Pravda, “ou melhor, o que a imprensa venal estigmatizou com esse nome sob a égide da censura czarista, morreu no momento em que o primeiro regimento revolucionário apareceu nas ruas de Petrogrado”. Uma política totalmente contrária à de Lênin, que defendia a imediata saída da guerra.

“O dia em que o Pravda transformado aparece”, explica Shlyapnikov, “foi um dia de triunfo para os defensores. Todo o Palácio Tauride, desde os empresários do Comitê da Duma ao Comitê Executivo, o próprio coração da democracia revolucionária, fervilhava com apenas uma notícia – o triunfo dos bolcheviques moderados e sensatos sobre os extremistas. No próprio Comité Executivo fomos recebidos com sorrisos maliciosos… Quando aquele número do Pravda chegou às fábricas, criou confusão e indignação entre os membros e simpatizantes do nosso Partido, rancorosa satisfação entre os nossos adversários… A indignação nos bairros periféricos foi estupenda e, quando os proletários souberam que o Pravda fora levado a reboque por três dos seus ex-editores-chefes recém-chegados da Sibéria, exigiram a expulsão destes últimos do Partido.”

Apenas após a chegada de Lenin, Krupskaya e Zinoviev em abril de 1917, os bolcheviques tomaram uma posição correta sobre a revolução. Lenin se colocou contra o governo provisório e a burguesia liberal, exigiu a imediata retirada da Rússia da guerra mundial e que os Sovietes tomassem o poder. Em geral, essa foi a campanha dos bolcheviques até a vitória completa, em novembro do mesmo ano.

Em abril, uma Conferência Pan-Russa do partido assume a forma de Congresso e Stalin é eleito para o comitê central do partido pela primeira vez, apesar dos erros cometidos no que diz respeito à revolução.

“É difícil rastrear as atividades de Stalin durante os próximos dois meses. Ele foi subitamente relegado a uma posição de terceira categoria. O próprio Lenin agora estava diretamente encarregado do conselho editorial do Pravda dia após dia – não apenas por controle remoto, como antes da guerra – e o Pravda tocava a melodia para todo o partido. Zinoviev era senhor e mestre no campo da agitação. Stalin ainda não havia discursado em nenhuma reunião pública. Kamenev, pouco entusiasmado com a nova política, representou o Partido no Comitê Executivo Central Soviético e no plenário do Soviete. Stalin praticamente desapareceu daquela cena e quase nunca foi visto, mesmo em Smolny. Sverdlov assumiu a liderança máxima da atividade organizacional mais destacada, atribuindo tarefas aos trabalhadores do Partido, lidando com os provinciais, ajustando os conflitos. Além de suas tarefas rotineiras no Pravda e de sua presença nas sessões do Comitê Central, Stalin recebia tarefas ocasionais de natureza administrativa, técnica ou diplomática. Elas estavam longe de serem numerosas. Naturalmente preguiçoso, Stalin apenas pode trabalhar sob pressão apenas quando seus interesses pessoais estão diretamente envolvidos. Caso contrário, ele prefere chupar o cachimbo e esperar a hora certa”. (Stalin, 1940)

“O primeiro Congresso Pan-Russo dos Sovietes, que foi inaugurado no dia 3 de junho, se arrastou por quase três semanas. Uma ou duas dezenas de delegados bolcheviques das províncias, perdidos na massa dos conciliadores, constituíam um grupo nada homogêneo e ainda sujeito aos humores de março. Não foi fácil liderá-los. Foi a esse Congresso que uma referência interessante foi feita por um populista já conhecido por nós, que certa vez observou Koba em uma prisão de Baku. ‘Tentei de todas as formas compreender o papel de Stalin e Sverdlov no Partido Bolchevique’, escreveu Vereshchak em 1928. ‘Enquanto Kamenev, Zinoviev, Nogin e Krylenko se sentavam à mesa do Praesidium do congresso, e Lenin, Zinoviev e Kamenev estavam os principais oradores, Sverdlov e Stalin dirigiram silenciosamente a Fração Bolchevique. Eles eram a força tática. Foi então pela primeira vez que percebi o significado total do homem.’ Vereshchak não se enganou. Stalin foi muito valioso nos bastidores na preparação da Fração para votação. Ele nem sempre recorreu a argumentos de princípio. No entanto, ele tinha a habilidade de convencer a média de líderes, especialmente os provinciais. Mas mesmo nesse trabalho o lugar de destaque era Sverdlov, que era o presidente permanente da Fração Bolchevique no Congresso”. (idem.)

Assim, de abril a junho, no meio do processo revolucionário, Stalin esteve quase omisso. Em junho, com o primeiro congresso dos Sovietes, seu papel foi de unificar a fração bolchevique nas votações.

Em julho, o principal Soviete do país, em Petrogrado, foi tomado pelos bolcheviques, com os quais Trótski acabava de se unir oficialmente, tendo realizado anteriormente, com Lênin, a importante campanha pela tomada do poder e contra a guerra mundial. A partir daí, os dois se tornaram os principais dirigentes da revolução.

Em conferência bolchevique, em julho, Stalin representou o comitê central, onde foi aprovada a política leninista de não tentar ainda uma insurreição pela tomada do poder, uma vez que os bolcheviques eram maioria apenas em Petrogrado e não seria acompanhados pelo restante do país.

As manifestações, conhecidas como Jornadas de Julho, ocorrem mesmo assim, diante da explosão das massas operárias e de soldados de Petrogrado. “Como partido do proletariado, deveríamos ter intervindo na sua manifestação pública e dado-lhe um caráter pacífico e organizado, sem almejar a tomada armada do poder ”, afirmou Stalin numa ocasião. Ele ainda teria dito aos trabalhadores irem desarmados para não promover uma política aventureira.

“Nesse ponto, entretanto, encontramos o enigmático testemunho de Dyemyan Biedny. Em tom muito exultante, o poeta contou em 1929 como na sede do Pravda Stalin foi chamado ao telefone por Kronstadt e como em resposta à pergunta que lhe foi feita, se devia-se sair de armas nas mãos ou sem armas, Stalin respondeu: ‘Rifles? Vocês, camaradas, sabem melhor! Quanto a nós, escritores, levamos sempre as nossas armas, lápis, para todo o lado. Quanto a ti e aos teus braços, tu sabes melhor!’ A história provavelmente foi estilizada. Mas pode-se sentir um grão de verdade nisso. Em geral, Stalin tendia a subestimar a disposição dos trabalhadores e soldados para lutar: ele sempre desconfiou das massas. Mas onde quer que uma luta começasse, seja em uma praça em Tiflis, na prisão de Baku ou nas ruas de Petrogrado, ele sempre se esforçava para torná-la o mais nítida possível. A decisão do Comitê Central? Poderia ser cuidadosamente invertida com a parábola sobre os lápis. No entanto, não se deve exagerar a importância desse episódio. A pergunta provavelmente veio do Comitê do Partido de Kronstadt. Quanto aos marinheiros, eles teriam saído com as armas de qualquer maneira.” (idem.)

Apesar da orientação dos bolcheviques, a tentativa aventureira dos trabalhadores e soldados de Petrogrado, que, como vimos, Stalin teve sua participação na realização, ocorreu. As Jornadas de Julho foram brutalmente reprimidas e abriram pretexto para o governo provisório instaurar uma ditadura contra os bolcheviques e o proletariado. Dirigentes dos Sovietes, como Trótski, são presos, enquanto se proíbe a liberdade de imprensa, etc.

Isso preparou o terreno para o golpe contra-revolucionário da alta-cúpula das Forças Armadas, liderado por Larv Kornilov, aproveitando-se da política repressiva do governo provisório contra a revolução. O golpe, porém, é barrado pelos bolcheviques, que organizam um processo de reação, expulsando os golpistas. A derrota do golpe ajudou também a enfraquecer o governo provisório, abrindo o caminho para a tomada do poder.

“O renascimento do movimento de massas e o retorno à atividade dos membros do Comitê Central que dele haviam sido temporariamente separados, naturalmente tirou Stalin da posição de destaque que ocupou durante o congresso de julho. A partir de então, suas atividades foram desenvolvidas na obscuridade, desconhecidas das massas, despercebidas pelo inimigo. Em 1924, a Comissão de História do Partido publicou uma copiosa crônica da revolução em vários volumes. As 422 páginas do quarto volume, que tratam de agosto e setembro, registram todos os acontecimentos, ocorrências, brigas, resoluções, discursos, artigos de qualquer forma dignos de nota. Sverdlov, então praticamente desconhecido, foi mencionado três vezes naquele volume; Kamenev, 46 vezes; Eu, que passei agosto e início de setembro na prisão, 31 vezes; Lenin, que esteve no underground, 16 vezes; Zinoviev, que compartilhou o destino de Lenin, 6 vezes; Stalin não foi mencionado nem uma vez. O nome de Stalin não está sequer no índice de aproximadamente 500 nomes próprios. Em outras palavras, nesses dois meses a imprensa não tomou conhecimento de nada do que ele fez ou de um único discurso que ele proferiu e nenhum dos participantes mais ou menos proeminentes dos acontecimentos daqueles dias mencionou seu nome uma única vez”. (idem.)

Em setembro, Stalin e Ryazanov são substituídos no Conselho editorial do Pravda por Kamenev e Trótski. Lênin estava escondido durante o momento do golpe de Estado.

“Bastante estranha foi a ausência comparativamente frequente de Stalin. Ele esteve ausente seis vezes de 24 sessões do Comitê Central em agosto, setembro e na primeira semana de outubro. A lista de participantes para as outras seis sessões não está disponível. Essa falta de pontualidade é ainda mais imperdoável no caso de Stalin, porque ele não participou do trabalho do Soviete e de seu Comitê Executivo Central e nunca falou em reuniões públicas. Ele próprio evidentemente não atribuiu a importância de sua própria participação nas sessões do Comitê Central que é atribuída a ele hoje em dia. Em vários casos, sua ausência foi, sem dúvida, explicada por sentimentos feridos e irritação: sempre que não consegue cumprir seu ponto, tende a esconder-se de mau humor e sonhar com vingança”. (idem.)

Com a chegada de Lênin a Petrogrado em Outubro, os bolcheviques começaram a organizar a tomada do poder. Stalin se junta a Lênin e Trótski sobre a necessidade de tomar aproveitar o momento para tomar o poder, contra dirigentes contrários a isso, como Kamenev e Zinoviev, que publicam carta aberta contra a decisão do partido.

“Stalin foi declaradamente contra aceitar a renúncia de Kamenev, argumentando que ‘toda a nossa situação é inconsistente’. Por cinco votos, contra Stalin e dois outros, a renúncia de Kamenev foi aceita. Por seis votos, novamente contra Stalin, uma resolução foi aprovada, proibindo Kamenev e Zinoviev de travar sua luta contra o Comitê Central. O protocolo afirma: ‘Stalin declarou que estava deixando o conselho editorial’. No caso dele, significava abandonar o único posto que era capaz de preencher nas circunstâncias da revolução. Mas o Comitê Central se recusou a aceitar a renúncia de Stalin, impedindo assim o desenvolvimento de outro racha. (idem.)

“O comportamento de Stalin pode parecer inexplicável à luz da lenda que foi criada em torno dele; mas, na verdade, está de acordo com sua constituição interna. A desconfiança das massas e a cautela desconfiada o forçam, em momentos de decisões históricas, a se retirar para as sombras, aguardar a hora e, se possível, assegurar-se de ir e vir. Sua defesa de Zinoviev e Kamenev certamente não foi motivada por considerações sentimentais. Em abril, Stalin mudou sua posição oficial, mas não sua composição mental. Embora ele tenha votado com Lenin, ele estava muito mais próximo de Kamenev em seus sentimentos.
Embora ele tenha votado com Lenin, ele estava muito mais próximo de Kamenev em seus sentimentos”. (idem.)

“Durante toda a semana anterior à insurreição, Stalin manobrou entre Lenin, Sverdlov e eu, de um lado, e Kamenev e Zinoviev, do outro. Na sessão do Comitê Central de 21 de outubro, ele restaurou o equilíbrio recentemente perturbado, propondo que Lenin fosse nomeado para preparar as teses do próximo Congresso dos Sovietes e que eu fosse nomeado para preparar o relatório político. Ambas as moções foram aprovadas por unanimidade. Se houvesse alguma divergência entre mim e o Comitê Central – uma fofoca inventada vários anos depois – o Comitê Central, por iniciativa de Stalin, teria me confiado o relatório mais importante no momento mais crucial? Tendo assim se assegurado à esquerda, Stalin novamente se retirou para as sombras e esperou sua vez”. (idem.)

A posição leninista ganha a luta interna e Trótski organiza o levante proletário através da instituição de um Comitê Revolucionário Militar, conforme destaca o próprio Stalin em trecho de artigo que posteriormente será censurado pelos próprios stalinistas:

“Todo o trabalho prático relacionado com a organização da insurreição foi feito sob a direção imediata do camarada Trótski, o presidente do Soviete de Petrogrado. Pode-se afirmar com certeza que o Partido está em dívida primária e principalmente com o camarada Trótski pela rápida passagem da guarnição para o lado do Soviete e pela maneira eficiente como o trabalho do Comitê Revolucionário Militar foi organizado”. [O trecho é de seu artigo A Revolução de Outubro, de 1917, que foi posteriormente retirado de suas Obras Completas].

A sessão do Comitê Central que lançou diretamente a insurreição foi realizada em Smolny. Uma moção de Kamenev, que havia voltado ao organismo partidário, afirmando que “nenhum membro do Comitê Central pode se ausentar de Smolny hoje sem dispensa especial” foi aprovada.

“O mais surpreendente de tudo é o fato de que Stalin nem mesmo esteve presente nesta sessão decisiva. Os membros do Comitê Central se obrigaram a não deixar Smolny. Mas Stalin nem mesmo apareceu em primeiro lugar. Isso é irrefutavelmente atestado pelos protocolos publicados em 1929. Stalin nunca explicou sua ausência, seja oralmente ou por escrito. Ninguém fez questão disso, provavelmente para não provocar problemas desnecessários. Todas as decisões mais importantes sobre a condução da insurreição foram tomadas sem Stalin, sem a menor participação indireta dele. Quando os papéis foram atribuídos aos vários atores daquele drama, ninguém mencionou Stalin ou propôs qualquer tipo de nomeação para ele. Ele simplesmente saiu do jogo”. (Stalin, 1940)

Em seguida, após a tomada do poder em 7 de novembro de 1917 [25 de outubro, segundo o calendário juliano utilizado na Rússia naquela época], porém, Stalin se volta contra Lênin e Trótski e, junto com Rykov, Kamenev e Zinoviev, prega o compartilhamento do poder com as facções mencheviques e socialistas-revolucionários, que haviam traído os trabalhadores durante o Governo Provisório. A posição leninista ganha novamente.

Governo Bolchevique e Guerra Civil

Na medida em que os bolcheviques tomaram o poder, a Rússia Soviética, sob o comando de Lenin, logo estabeleceu medidas essenciais para garantir os direitos do povo. A questão mais complexa, que gerou um intenso debate dentro do partido, foi a maneira de sair da guerra.

Neste período, Stalin foi apontado como Comissário do Povo para as Nacionalidades, quando realizou o trabalho de negociar com as diversas minorias étnicas do país a instauração de uma federação própria, assim como instituiu escolas com linguagens nativas (não russo, como na época do Império). Um trabalho relativamente secundário diante da gravidade da situação na qual o país vivia.

Trótski, que havia liderado a insurreição e montado o Exército Vermelho e Guarda Vermelha, foi encarregado da tarefa de tirar a Rússia da Guerra, enquanto Comissário do Povo para Relações Exteriores. Lenin defendia aceitar os termos com a Alemanha, no Tratado de Brest-Litovsk, e sair pacificamente para tirar imediatamente o povo da guerra; já Nikolei Bukharin, dirigente bolchevique, defendia expandir a guerra pela implementação do socialismo em outros países da Europa.

Trotski, por sua vez, defendia a saída pacífica, mas buscava adiar as reuniões com os alemães para dar tempo para que uma revolução fosse vitoriosa na Europa (principalmente na Alemanha) e, desta forma, tirar o país do isolamento, pois ele considerava desmoralizante assinar um tratado de paz com a Alemanha imperialista.

Descontentes, em fevereiro de 1918, os alemães realizam operações militares contra os soviéticos, o que faz Trótski se omitir em reunião do Comitê Central, favorecendo a política de Lenin de assinar o acordo. Ele resigna do posto e é eleito Comissário do Povo para Assuntos do Exército e da Marinha.

Porém, a principal oposição à liderança de Trótski dentro do Exército Vermelho surgiu de uma aliança formada por Stalin, Kamenev e Zinoviev. Quando, apesar do tratado assinado com a Alemanha, as forças imperialistas e reacionárias decidem invadir a Rússia, iniciando a Guerra Civil, Trótski instaura uma intensa disciplina e centralização, que é criticada por Stalin e os outros.

É Trótski quem instaura o chamado “Comunismo de Guerra”, onde as provisões produzidas nas cidades e nos campos eram enviadas para sustentar os soldados na luta contra as forças imperialistas, o que gerava o descontentamento de proprietários rurais médios (os grandes tendo sido expropriados), que arrastavam consigo os pequenos proprietários.

Stalin, Zinoviev e Kamenev foram contra a política, cedendo às classes capitalistas médias. Da mesma forma, criticaram Trótski pela “dureza” com que ele tratava os comunistas dentro do Exército, fuzilando quem sabotava as operações e impondo uma rígida disciplina.

Ainda, Trótski defendia, e obteve apoio de Lenin, o ingresso de antigos oficiais da época do czarismo no Exército Vermelho, centralizado pelo poder soviético, como forma de aumentar os números e utilizar-se do conhecimento de táticas de guerra.

Lenin defendeu a posição:

“Quando o camarada Trotski me informou recentemente que o número de oficiais do antigo exército empregados por nosso Departamento de Guerra chega a várias dezenas de milhares, percebi concretamente onde estava o segredo de usar nosso inimigo, como obrigar aqueles que se opunham ao comunismo a construí-lo, como construir o comunismo com os tijolos que os capitalistas escolheram lançar contra nós! Não temos outros tijolos! E, portanto, devemos obrigar os especialistas burgueses, sob a direção do proletariado, a construir nosso edifício com esses tijolos. Isso é o que é difícil; mas esta é a promessa de vitória”. (Conquistas e Dificuldades do Governo Soviético, 1919)

A ideia, porém, foi duramente criticada por Stalin, Zinoviev e Kamenev, que apareciam com uma posição democrática abstrata, na questão do centralismo, e sectária, na questão dos oficiais militares.

“Na questão militar, a oposição assumiu uma forma mais ou menos definida durante os primeiros meses de organização do Exército Vermelho. Suas ideias fundamentais encontraram expressão na defesa do método eleitoral e em protestos contra o alistamento de especialistas, a introdução da disciplina militar, a centralização do exército e assim por diante”. (Minha Vida, 1930)

“A oposição tentou encontrar alguma fórmula teórica geral para sua posição. Eles insistiram que um exército centralizado era característico de um estado capitalista; a revolução tinha que apagar não apenas a guerra posicional, mas também um exército centralizado. A própria essência da revolução era sua capacidade de se mover, fazer ataques rápidos e realizar manobras; sua força de combate foi incorporada em um pequeno destacamento independente composto de várias armas; não estava preso a uma base; em suas operações, contava totalmente com o apoio de uma população simpática; poderia surgir livremente na retaguarda do inimigo, etc. Em suma, as táticas de uma pequena guerra foram proclamadas as táticas da revolução. Tudo isso era muito abstrato e não passava de uma idealização de nossa fraqueza. A séria experiência da guerra civil logo desmentiu esses preconceitos. A superioridade da organização central e da estratégia sobre as improvisações locais, separatismo militar e federalismo, revelou-se muito cedo e muito claramente nas experiências da luta”. (idem.)

“Não é de se espantar que meu trabalho militar tenha criado tantos inimigos para mim. Não olhei para o lado, afastei com uma cotovelada aqueles que interferiam no sucesso militar, ou na pressa do trabalho pisoteado pelos desatentos e estava ocupado demais até para pedir desculpas. Algumas pessoas se lembram dessas coisas. Os insatisfeitos e aqueles cujos sentimentos haviam sido feridos encontraram o caminho de Stalin ou Zinoviev, pois esses dois também nutriram feridas. Cada revés na frente levou os descontentes a aumentar sua pressão sobre Lenin. Nos bastidores, essas maquinações já eram administradas por Stalin. Memorandos foram apresentados criticando nossa política militar, meu patrocínio aos “especialistas”, o tratamento duro dispensado aos comunistas e assim por diante. Os comandantes que foram obrigados a renunciar ou frustrados “marechais” vermelhos enviaram um relatório após o outro apontando a precariedade de nossa estratégia, a sabotagem pelo alto comando e muito mais”. (idem.)

Neste momento, se instaurou as bases da luta que tomou conta do país nos anos seguintes.

Durante a Guerra Civil, Stalin foi designado com apenas algumas tarefas táticas de menor importância. Ao mesmo tempo, em sua campanha contra Trótski, o segundo bolchevique após Lenin, ele desconsiderou ordens e repetidamente ameaçou renunciar quando afrontado, tendo sido repreendido por Lenin no 8º Congresso do Partido por empregar táticas que resultaram em muitas mortes de soldados do Exército Vermelho.

Como Comissário do Povo para as Nacionalidades, ele assinou decretos reconhecendo as repúblicas soviéticas na Estônia, Lituânia e Letônia. Em novembro de 1919, participou do Congresso de Inauguração da III Internacional. Em fevereiro de 2020, foi apontado como diretor do Rabkrin, uma agência governamental responsável por examinar as administrações estaduais, locais e empresariais.

Com a invasão da Ucrânia (Rússia) pelas tropas reacionárias polonesas e a reconquista, em seguida, da região pelos bolcheviques, Lenin decide expandir a guerra contra os poloneses, alegando que a classe operária apoiaria o governo soviético contra o governo de Józef Piłsudski. Stalin é contra, mas perde internamente.

Ao longo da Frente Sudoeste, em 1920, ele ficou determinado a conquistar Lviv e desobedeceu às ordens no início de agosto de transferir suas tropas para ajudar as forças de Mikhail Tukhachevsky que estavam atacando Varsóvia. Ele é criticado duramente por Lenin e Trótski, ao que ele pede para ser demitido de comandos militares, o que é aceito pelo partido.

Com a direção de Trótski, a Rússia ganhou a Guerra Civil, enquanto Stalin acumulou derrotas, tanto do ponto de vista militar, quanto na questão das etnias, sem conseguir resolver os conflitos entre armênios e azerbaijaneses em sua terra natal, na Georgia.

Troika e aparelhamento do partido

Para resolver a crise econômica deixada por quase uma década de guerra, Lenin decide permitir uma pequena economia capitalista dentro da Rússia através da Nova Política Econômica (NEP, em inglês). Ao mesmo tempo, discutiu-se questões gerais sobre a administração do país. Stalin, buscando atacar Trótski para retirá-lo do comando do partido, juntou-se a Zinoviev e Kamenev no sentido de explorar divergências secundárias entre Lenin e o organizador da insurreição proletária de 1917 – como na questão de estatização dos sindicatos, que Trótski apoiou e Lenin não.

Zinoviev, Kamenev e Stalin formaram o que ficou conhecido por “Troika” e passaram a atacar Trótski em todos as questões, uma vez que Lenin estava ficando doente e comparecia cada vez menos em reuniões do partido diante de sua debilidade física.

No XI Congresso do partido, Lenin aponta Stalin com Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética – um cargo de organização do partido, enquanto os cargos mais importantes do Estado soviético foram colocados sob o controle de outros dirigentes, como Trótski, Kamenev, Zinoviev e outros.

No papel de Secretário-Geral, porém, Stalin aproveita a ausência de Lenin para aparelhar o partido com elementos atrasados do partido que eram ligados a ele. Manipulando Zinoviev e Kamenev, que não queriam ver Trótski como sucessor natural de Lenin, a Troika realiza uma intensa campanha de difamação contra o dirigente revolucionário.

Lênin, doente e afastado, buscava manter o partido unificado e não poupava críticas a ambos os lados. Porém, como fica claro em seu testamento, que os agentes do stalinismo censuraram após a morte do dirigente, denunciou fortemente o aparelhamento do partido por Stalin e sugeriu que ele fosse retirado do cargo de Secretário-Geral pouco antes de morrer.

No XII Congresso do partido, Lenin já havia falecido e, após ver a popularidade de Trótski diante dos operários e da base do partido, a Troika intensifica a campanha de calúnias, busca expulsar todos os apoiadores do dirigente do Comitê Central e de cargos importantes e censura, não só o organizador do Exército Vermelho, como todos que se aliaram a ele.

Stalin também censurou o testamento de Lenin, no qual o falecido dirigente bolchevique fazia críticas ferozes a ele e a outros membros da direção.

Perseguição à Oposição

Trótski forma um grupo de oposição interna dentro do partido, denunciando as arbitrariedades de Stalin e exigindo uma maior democracia interna. Enquanto ele obtinha apoio nas grandes cidades e nos setores mais avançados da classe operária e do Exército Vermelho, a Troika se apoiava na confusão semeada e nos lugares mais atrasados do país e na grande proximidade de Zinoviev e Kamenev com Lenin. Da mesma forma, buscavam ressaltar velhas divergências entre Trótski e Lenin no período anterior à revolução.

O XIII congresso consolidou ainda mais a ditadura da burocracia stalinista, que, isolada na revolução, foi o resultado natural de uma contra-revolução dentro do próprio Estado operário. A vanguarda é perseguida e os cargos são colocados sob o controle de pessoas de confiança de Stalin.

O mesmo ocorreu com a III Internacional. Stalin colocou velhos pelegos de países da Europa do Leste com representantes de seus respectivos países na organização, uma vez que os oportunistas haviam concordado em se aliar a Stalin.

No interior da já formada União Soviética, a Oposição de Esquerda, liderada por Trótski, afirmava que a NEP era uma proposta transitória de Lenin e que as bases para começar uma política de industrialização no país já estavam colocadas. A política era defendida no sentido de acabar com a disparidade econômica entre o campo, que estava enriquecendo e gerando uma forte classe capitalista proprietária, e a cidade, empobrecida.

O stalinismo, que se apoiava nos elementos mais atrasados da URSS, havia a política de continuar enriquecendo os proprietários camponeses – uma política totalmente contrária à de Lenin, que defendia, ainda em suas brigas contra os mencheviques, que esta classe de proprietários seria uma classe capitalista, e portanto reacionário, dentro do Estado operário. O argumento leninista era defendido pela Oposição.

Os proprietários camponeses enriqueceram e ganharam influência dentro do Estado e do partido, na troca realizada por Stalin.

Em 1925, a pressão stalinista sobre Trótski era tão grande que ele foi obrigado a renunciar ao cargo de Comissário do Povo para Assuntos do Exército e da Marinha. Enquanto isso, Zinoviev e Kamenev propunham sua expulsão do partido – algo que Stalin negou, em sua política intrigante e de bastidores.

Antes, em 1924, a Troika se desfaz. Zinoviev e Kamenev haviam ajudado Stalin a se consolidar no poder de forma arbitrária , na política contra Trótski, e agora estavam eles mesmos sob o comando do georgiano. Assim como havia feito com Trótski, Stalin consegue retirar os apoiadores de Kamenev e Zinoviev dos cargos importantes e, assim, isolá-los dentro da direção. Eles formam uma Nova Oposição ao stalinismo, que agora estava aliado a Bukharin – a ala direita.

Em 1926, a Oposição de Esquerda e a Nova Oposição se uniram, formando a Oposição Unificada.

Burocracia contra-revolucionária

A Oposição criticou duramente a política de Stalin em relação à Revolução Chinesa. A burocracia do PCUS (comandante da III Internacional) defendia uma aliança do Partido Comuinsta Chinês (PCC) com o partido reacionário da burguesia chinesa, o Kuomintang, que traiu a revolução e assassinou seus membros. O stalinismo afirmava não haver condições para uma revolução proletária na China e, por isso, defendia uma revolução democrático-burguesa e uma aliança com o Kuomintang.

Assim como o stalinismo teve uma posição menchevique interna, na questão do enriquecimento dos camponeses, a posição de “revolução por etapas” defendida pelos mencheviques, que se opuseram à revolução proletária na Rússia, também foi copiada por Stalin. Tudo isso, em nome do “socialismo em um só país” – de todos os pontos de vista, interno e externo, uma corrupção das teses centrais desenvolvidas por Lenin.

É nesse sentido também que Stalin estabelece um acordo com a Itália fascista de Mussolini. Em 1926 e 1927, a União Soviética fornece a maior parte do óleo combustível que alimenta a frota de guerra italiana (Maria, Jean-Jacques. Stalin).

“Ainda em 1926, todos os membros do Partido Comunista no parlamento italiano são presos, e os socialistas expulsos. A partir daí, a ditadura mussoliniana se endurece ainda mais e no mesmo ano o PC é posto na ilegalidade, seus dirigentes são exilados ou presos (como Antonio Gramsci) e milhares de militantes são enviados para campos de concentração ou assassinados”. (Diário Causa Operária. Vasco, Eduardo. A aliança esquecida entre Stálin e Mussolini)

“Tudo isso, sob os olhos de Stálin e da III Internacional, que já mantinha o PCI sob estrito controle”.

“Ao invés de romper relações com a Itália, de intervir contra o extermínio dos comunistas e do movimento operário ou ao menos de negociar uma anistia, Stálin continua seus negócios com os fascistas”. (idem.)

Enquanto negociava com os fascistas que perseguiam os comunistas italianos e acabava com a Revolução Chinesa, o stalinismo já havia sido responsável pela derrota da Revolução Alemã, numa política aventureira de tomar o poder sem as condições para tal – gerando um gigantesco golpe da burguesia ao movimento operário -, e tratou de conter o movimento operário inglês ao ficar à reboque dos sindicalistas social-democratas no Comitê Anglo-Russo, que traíram a greve e acabaram com ela.

Em 1927, a camarilha stalinista expulsou Trótski e Zinoviev do Comitê Central do PCUS, em outubro de 1927. Quando a Oposição realizou manifestações em comemoração aos 10 anos da tomada do poder pelos bolcheviques, os atos foram brutalmente reprimidos e os dois dirigentes oponentes a Stalin foram expulsos do partido, em 12 de novembro.

No XV Congresso do partido, em dezembro, a burocracia realiza um expurgo para expulsar todos os membros da oposição do partido. Este processo ocorre a nível internacional, com os trotskistas de outros países sendo expulsos dos partidos filiados à III Internacional, na maioria dos casos com um gigantesco processo de calúnias, difamações, censura e perseguições.

O grupo de Kamenev e Zinoviev, porém, cedeu e capitulou diante da perseguição, assim como algumas pessoas ligadas a Trótski. Todos estes são obrigados a “admitir” que Trótski era um agente do imperialismo na União Soviética. Ele é exilado e, em seguida, expulso do país, tendo de viver uma vida nômade ao redor do mundo, sempre perseguida pelo stalinismo e pela extrema-direita.

Diante da crescente força dos camponeses ricos no país, que voltaram-se contra o Estado operária e a burocracia, em 1929, Stalin é obrigado a realizar um programa de industrialização e coletivização forçada, reprimindo brutalmente os opositores, que passam a boicotar o governo, sabotando as plantações e escondendo alimentos, para especular e fragilizar a União Soviética. Os camponeses ricos (kulaks) foram responsáveis por uma fome gigantesca no país – o que poderia ter sido evitado com a industrialização proposta pela Oposição de Esquerda na primeira metade da década de 1920.

Além disso, no final da década de 1920, Stalin também é responsável por atacar diversos direitos adquiridos ao longo da revolução. Para agradar o setor conservador com ele se aliou para formar sua burocracia, Stalin criminalizou a homossexualidade; proibiu o aborto (direito fundamental das mulheres adquirido após a revolução); perseguiu a liberdade de expressão dos artistas soviéticos (vanguarda cultural ao longo do século XX); e assim por diante.

Também, diante da ascensão do nazismo na Alemanha, o stalinismo fechou os olhos e adotou a política do “social-fascismo” para se opor a Trótski. Enquanto Stalin igualava a social-democracia, que representava a maioria dos trabalhadores alemães, aos nazistas, Trótski propunha uma frente única com todas as organizações de trabalhadores (sindicatos, movimentos e a social-democracia) contra a ascensão do fascismo, através da formação de comitês, principalmente para mobilizar as bases trabalhadores – sabendo que as direções eram capituladoras e conciliadoras.

Essa política, de omissão diante da ameaça fascista, permite a ascensão de Adolf Hitler na Alemanha, o que foi provavelmente a maior derrota da classe operária mundial na primeira metade do século XX.

Frentes Populares e Grandes Expurgos

Com a subida Hitler ao poder, o stalinismo acreditava que não haveria grande diferença entre o governo nazista e um governo social-democrata. Afinal, Stalin alegava que eram todos partidos burgueses.

O stalinismo só percebeu o erro, apesar de não admiti-lo, quando em seguida Hitler aprofundou a sua ditadura contra o povo, jogando os militantes comunistas e os dirigentes stalinistas em campos de concentração.

Por isso, do ponto de vista internacional, o stalinismo adota um gira de 180º graus e, ao invés de considerar “todos iguais”, passa a defender uma aliança com setores “democráticos” da burguesia para conter o fascismo. Essa política ganhou o nome de Frente Popular.

Desta forma, a política stalinista, na realidade, foi um grande empecilho para o desenvolvimento da luta dos trabalhadores contra os fascistas. Na Espanha, Stalin e o Partido Comunista Espanhol (PCE) decidem dar apoio e integrar o governo junto com o Partido Republicano.

Entre o final da década de 1920 e início de 1930, os trabalhadores espanhóis viviam um processo revolucionário que derrubou a ditadura de Primo de Rivera. Os republicanos assumiram, mas o processo revolucionário continuou, com os trabalhadores iniciando uma luta política contra o novo governo. Greves e mobilizações tomaram conta do país, numa gigantesca mobilização de tipo revolucionária.

Em 1936, nas eleições gerais do país, tanto o partido socialista, quanto o comunista (a mando de Stalin) decidem integrar no governo, que desarmou os trabalhadores e conteve as greves, uma vez que os partidos com expressão na classe operária estavam a reboque da política direitistas dos republicanos.

Com a vitória da Frente Popular espanhola, porém, os fascistas, liderados pelo general Francisco Franco, iniciaram uma guerra civil, na qual forças populares de todo o país se mobilizaram contra as forças franquistas.

A atuação da Frente Popular neste período foi catastrófica, pois ao mesmo tempo em que participava da guerra para derrotar o franquismo, impedia um desenvolvimento real da luta operária para derrotar o fascismo, uma vez que temia uma revolução. Os stalinistas, inclusive, passaram a perseguir os militantes trotskistas, como Andrés Nin, numa política totalmente traiçoeira.

A política capituladora, junto com os crimes cometidos contra diversos combatentes, permitiu a ascensão da ditadura fascista de Franco em 1939 – que ficou no poder, reprimindo toda organização dos trabalhadores – até meados da década de 1970.

Já na França, a Frente Popular é formada para conter as greves operárias que tomaram conta do país em 1936. De um lado, no país, tinha-se um gigantesco crescimento das diversas organizações fascistas a partir do início da década de 1930. A polarização levou, naturalmente, a um movimento grevista de tipo revolucionário.

Essa mobilização, porém, foi contida pelo Partido Socialista e pelo Partido Comunista, que em 1936, realizam uma frente eleitoral com o direitista Partido Radical e buscam conter as mobilizações – desviando o foco da luta dos trabalhadores para o cenário institucional. Assim, o stalinismo atuou para destruir a mobilização revolucionária 1936, permitindo a permanência da burguesia no controle do regime. Essa mesma burguesia, diante da invasão nazista em 1940, capitula e deixa um parte do país integralmente controlada por Hitler.

Já do ponto de vista interno, a política de Stalin se direciona para o aprofundamento de uma intensa ditadura contra o povo. Por meios reacionários – torturas, prisões, etc. – ele já havia destruído uma boa parte da oposição. Ele inicia uma série de processos de deportações e exílios no sentido de destruir as facções contrárias a ele dentro do partido.

Em 1934, ele executa operários da Fábrica Metalúrgica Stalin acusados, de forma arbitrária, de serem espiões japoneses. No final deste ano, Sergei Kirov, membro do Comitê Central e político extremamente popular dentro do partido (já aparelhado por Stalin), é assassinado no Instituto Smolny, em Leningrado (Petrogrado, São Petersburgo).

Como Kirov, era visto como sucessor natural de Stalin, Trótski levantou a suspeita de ter sido o próprio Stalin que mandou matá-lo. De qualquer forma, o stalinismo realiza uma gigantesca campanha internacional no sentido de convencer a opinião pública e o imperialismo dos métodos profundamente ditatoriais que serão realizados após o ocorrido.

Em nome de combater as forças “contra-revolucionárias” dentro da URSS, Stalin inicia um processo de expurgo dentro do partido e no país, em geral. O stalinismo passou a alegar que os trotskistas haviam se unido com um setor da oposição dentro do país para realizar um golpe de Estado.

Em 1936, inicia os Processos de Moscou, nos quais milhares de militantes do PCUS, inclusive dirigentes como Kamenev, Zinoviev, Bukharin, Rykov, entre outros, foram expulsos do partido ou exterminados.

O Grande Expurgo ocorreu até o final da Segunda Guerra Mundial, pois se estenderia em seguida para as forças armadas, mas teve seu auge justamente no momento no período que vai de 1936 a 1940. Houveram milhões de prisões e centenas de milhares de execuções – a tal ponto que todos os dirigentes bolcheviques que ainda não haviam morrido, foram assassinados pela camarilha stalinista – não sem antes “admitirem” serem espiões nazistas, agentes do imperialismo, etc.

Trótski, único membro da antiga direção bolchevique vivo em 1940, é assassinado em seguida, após diversas tentativas de assassiná-lo durante sua estadia no México. Um agente infiltrado pelo stalinismo na sua segurança-pessoal, Ramón Mercader, deu-lhe um golpe de picareta na cabeça quando este estudava.

As famílias de todos estes dirigentes, inclusive as pessoas que não tinham nada a ver com política, também foram executadas, presas e perseguidas pela ditadura stalinista.

Neste mesmo sentido, na cultura, Stalin realizou uma gigantesca censura contra a vanguarda artística formada no período revolucionário – e fundou o Realismo Soviético, que era usado como forma de propaganda oficial do governo e de Stalin.

Pacto com Hitler; Segunda Guerra Mundial

Em agosto de 1939, o stalinismo assina o acordo Molotov-Ribbentrop, um pacto de não-agressão e de compartilhamento de regiões importantes ao entorno da URSS. Os dois países invadem a Polônia. Primeiro a Alemanha, causando a Segunda Guerra Mundial contra outros países imperialistas, e depois os soviéticos em apoio aos seus novos aliados.

Em novembro de 1939, Stalin enviou tropas para a Finlândia para controlar o país. A expansão se estendeu a países do Balcãs, que através de um brutal repressão militar foram anexados à URSS.

Com o fechamento do Pacto Tripartite, que consolidou a aliança entre Alemanha, Itália e Japão, Stalin chegou a propor a inclusão da União Soviética nas forças do Eixo.

Para aprofundar seu controle sobre o país, ao mesmo tempo em que ocorriam grandes expurgos, Stalin substitui Molotov na função de primeiro-ministro da URSS colocando ele mesmo no cargo.

Após ser avisado diversas vezes pelos seus espiões de que Hitler estava se preparando para invadir a União Soviética, Stalin nada fez para proteger as fronteiras do país. Isso permitiu com que Hitler, rompendo o pacto, em junho de 1941, invadisse o país e controlasse uma boa parte da região, chegando posteriormente até Leningrado.

Apenas com a expansão dos nazistas dentro da região é que Stalin buscou realizar algum tipo de reação. Os alemães controlavam uma parte importante do país, desde a região mais central até os Balcãs e a Ucrânia. A política descuidada de Stalin, porém, levou neste momento à morte de milhões de soviéticos, entre civis e soldados.

Pacto com o imperialismo “democrático”

Com o fim do pacto com Hitler, Stalin realizou um pacto com o imperialismo “democrático” – a Inglaterra, de Winston Churchill, e os Estados Unidos, de Franklin Roosevelt.

Neste momento, a população soviética toma conta da situação do país e realiza um movimento de guerrilha para apoiar o Exército Vermelho na luta contra as tropas nazistas. Apenas a partir deste momento, isto é, quando o próprio povo tomou conta da luta contra a invasão nazista, é que os soviéticos passaram a expulsar os nazistas, no final de 1942.

Em meados de 1943, os soviéticos já haviam reconquistado metade do que os nazistas haviam invadido em 1941-1942; haviam retomado Leningrado; e estavam derrotando o Exército nazista.

Em sua aliança com o imperialismo, Stalin é eleito “Homem do Ano” pela reacionária revista Times. Stalin, ao invés de mobilizar os trabalhadores ao redor contra a guerra (que ele mesmo havia ajudado a causar), decidiu fazer parte dos negócios do imperialismo e, em novembro de 1943, se reúne com Churchill e Roosevelt em Teerã, onde conspiraram para destruir o imperialismo alemão, assim com a Rússia czarista havia conspirado com França, Inglaterra e EUA na primeira guerra mundial.

Os três países, que queriam desmantelar a Alemanha, passaram a dividir a Europa entre eles. Os EUA e a URSS exigiam o fim do Império Britânico – para poder expandir suas mercadorias aos mercados destes países, totalmente fechados à Inglaterra; enquanto Stalin exigia que a parcela da Polônia ocupada pelo pacto com o nazsimo fosse colocada sob o controle soviético, o que lhe foi negado.

Stalin, no acordo, conseguiu ficar com Bulgária, Romênia, Hungria, e Iugoslávia, enquanto a Grécia se tornaria zona de influência do imperialismo.

Em 1944, as forças soviéticas já haviam expulsado os nazistas e agora estavam atravessando a Europa, fazendo os alemães lutarem em retirada. Enquanto isso, os EUA tinham vitórias no sul da França e na Ásia, contra os japoneses.

Assim como na URSS havia se formado um guerra de guerrilhas para derrotar a invasão nazista, em quase todos os países ocupados havia este tipo de luta. O povo organizado e armados, na França, lutava contra a ocupação nazista; na Itália, na Grécia, na Albânia e na Iugoslávia, também. Em 1945, Stalin se reúne com o imperialismo novamente, em Ialta, e aprofunda o acordo.

Na Conferência de Ialta, em fevereiro de 1945, Stalin, Roosevelt e Churchill reuniram-se em segredo para decidir o fim da Segunda Guerra Mundial e a repartição das zonas de influência entre o Oeste e o Leste.

Ao contrário do que a história oficial das classes dominantes apresenta, o fascismo não foi derrotado pelo imperialismo “democrático”, mas pela organização revolucionária do povo; da mesma forma, não foi uma luta entre democracia e fascismo, mas uma guerra estimulada pelos interesses conflitantes das diversas potências imperialistas – com a URSS oscilando entre os interesses alemães, no início, e os interesses norte-americanos e ingleses em seguida.

Na realidade, o movimento guerrilheiro apenas foi aproveitado, durante a guerra, pelos Aliados. Com a derrota dos nazistas na França e o aprofundamento da luta revolucionária da classe operária do país, em acordo com o imperialismo, a União Soviética desarma a classe trabalhadora e permite a ascensão de um governo burguês reacionário controlado pelo general Charles de Gaulle, com o Partido Comunista Francês em cargos governamentais.

Na Itália, Stalin também desarmou os trabalhadores que haviam derrubado Benito Mussolini e fez o Partido Comunista Italiano ingressar num governo burguês, que tinha inclusive elementos que eram integrantes da própria burocracia fascista do antigo governo.

Na Grécia, a revolução se expandiu até mesmo depois da Segunda Guerra Mundial, e o stalinismo atuou no sentido de, junto com as forças imperialistas, derrotar a mobilização revolucionária.

Também, nos lugares cedidos pelo imperialismo aos soviéticos, com a Hungria, o stalinismo toma conta do poder sem expropriar a burguesia. As classes dominantes do Leste Europeu serão expropriadas apenas em seguida, após a pressão do movimento revolucionário. Stalin, porém, colocou diversos setores desta burguesia pouco desenvolvida em cargos importantes da burocracia destes países.

Algumas revoluções, porém, foram vitoriosas, como na Iugoslávia e na Albânia, onde os guerrilheiros não cediam às pressões do stalinismo.

Com a derrota definitiva das forças do Eixo, em agosto de 1945, Stalin se reúne com Henry Truman – presidente dos EUA após a morte de Roosevelt – e o novo primeiro-ministro inglês, Clement Attlee, para discutir o futuro da Alemanha. Stalin, que tinha a maior força militar no país, cedeu para o imperialismo e concedeu a parte ocidental para o imperialismo, enquanto ficou com a parte Oriental. Também, o stalinismo permitiu a separação de Berlim, cidade dentro da zona controlada pelos soviéticos. O país continuará dividido até 1989.

Fim da Segunda Guerra e morte

Entre 1945 até 1949, Stalin manteve uma política de aliança com o imperialismo. Todos os países da Europa estavam destruídos, principalmente a Alemanha e a Inglaterra. Nunca antes morreu tanta gente em seis anos. Como forma de aumentar seu controle econômico nos países afetados pela guerra, inclusive os imperialistas, os Estados Unidos, em 1947, elabora o Plano Marshall para financiar o desenvolvimento capitalista após a destruição massiva.

Isto é, o imperialismo norte-americano estava financiando a restauração do capitalismo mundial, diante das ruínas deixadas pela 2ª Guerra nos principais países do capitalismo europeu.

O stalinismo participa ativamente do processo de restauração. Após ter reprimido todos os processos revolucionários que surgiram neste período, a orientação da União Soviética foi de “apertar os cintos” dos trabalhadores – ou seja, impedir qualquer tipo de reação aos governos capitalistas pós-guerra, nos quais (como na Itália e na França) os partidos comunistas faziam parte. Assim, diante da gigantesca crise capitalista mundial, o stalinismo serviu como instrumento dos capitalistas para conter as mobilizações proletárias e atuar no sentido de restaurar a economia europeia, permitindo uma estabilidade para a burguesia.

Enquanto isso, Stalin iniciou um processo de controle dos países conquistados no Leste Europeu, mantendo uma burocracia no controle dos países da “Democracia Popular” – Hungria, Tchecoslováquia, Bulgária, etc. Formaliza-se o que seria, no futuro, o Tratado de Varsóvia.

Alguns países tiveram maior independência, como Albânia e Iugoslávia, e isso foi motivo de atrito entre eles e a URSS.

Entre 1947 e 1949, porém, as relações “pacíficas” entre o imperialismo e a URSS começaram a se deteriorar. O imperialismo funda a OTAN, aliança militar imperialista. Enquanto, ao redor do mundo, o processo revolucionário causado pela guerra ainda não parou. No Vietnã, as tropas lideradas por Ho Chi Minh expulsam o governo francês de De Gaulle (e dos comunistas de Stalin); na Índia, gigantescas mobilizações populares tomam conta do país contra a dominação da Inglaterra.

O fenômeno mais importante, entretanto, é a vitória da Revolução Chinesa em 1949. Um dos países mais importantes do mundo ficou sob o controle dos comunistas, liderados por Mao Tse-Tung – isso, apesar das tentativas do stalinismo de estrangular o processo revolucionário.

A política de Stalin era manter o Partido Comunista Chinês à reboque do Kuomintang (que havia traído a Revolução de 1927). Com a expulsão dos invasores japoneses, no final de Segunda Guerra, Mao expandiu o processo revolucionário contra o Kuomintang e tomou o poder em 1949, sem receber o apoio do stalinismo para isso. A vitória na China deu fôlego à luta revolucionária na Coreia, que só terminaria após a morte de Stalin.

Com a Revolução Chinesa, os EUA iniciam uma campanha intensa contra o comunismo e estabelece o fim da aliança com a URSS – surgindo o período denominado erroneamente de Guerra Fria, que não havia nada de “fria” do ponto de vista mundial.

Para reforçar seu controle, a URSS promoveu diversos expurgos ocorreram nas burocracias do Leste Europeu, no chamado “Bloco Socialista” – Georgia, Tchecoslováquia, Romênia, etc. Também promove modificações na direção do PCUS na União Soviética.

Em seus últimos anos, Stalin estava com a saúde debilitada, e tirava com constância. Em março de 1953, tem uma hemorragia cerebral e é encontrado morto no chão de seu quarto.

Josef Stálin (INCOMPLETO)
Josef Stalin, secretário-geral do PCUS
País de Nascimento

Geórgia (Império Russo)

Nascimento e Morte

18/12/1878 – 5/3/1953

Família

Resumo

Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética entre 3 de abril de 1922 a 5 de março de 1953