OVRA

A Organizzazione per la Vigilanza e la Repressione dell’Antifascismo – OVRA (“Organização para a Vigilância e a Repressão do Antifascismo”, em tradução literal), era a polícia política e secreta do Reino de Itália, fundada em 1927 sob o regime fascista de Benito Mussolini.

Na sequência da tentativa de assassinato de Mussolini pelo adolescente Anteo Zamboni, de 15 anos de idade, o governo fascista aproveitou a oportunidade para promulgar rapidamente novas leis repressivas e reorganizar seu aparato policial. O novo código de leis relativo à segurança pública previa especificamente um “Departamento de Polícia Política”, com o objetivo de controlar e reprimir a dissidência política. O novo órgão policial veio a ser conhecido mais tarde como OVRA, embora sua existência tenha permanecido oculta até dezembro de 1930, quando a agência de notícias semioficial Stefani divulgou um comunicado citando-a como uma “seção especial” das forças policiais.

Arturo Bocchini, homem que fez carreira como oficial de polícia, foi designado para a tarefa de coordenar o novo órgão policial, função que exerceu até sua morte, em 1940.

A OVRA contava com uma amplíssima rede de informações de espiões e informantes. Organizações operárias, associações culturais, universidades e até o Vaticano foram alvos dos infiltrados da polícia política italiana. Essa rede se estendia, inclusive, ao exterior, onde a OVRA organizou assassinatos de pessoas hostis ao regime – como os irmãos Nello e Carlo Rosselli, intelectuais antifascistas e membros da organização Giustizia e Libertà (Justiça e Liberdade), mortos na França em 1937. Também mantinha e operava o Casellario Politico Centrale (Registro Político Central), um arquivo especial que reunia todas as informações pessoais dos indivíduos considerados “subversivos”.

Alguns levantamentos afirmam que cerca de 6.000 pessoas foram presas pela OVRA, principalmente comunistas e membros da Giustizia e Libertà. Quando não eram assassinadas, eram julgadas por “tribunais especiais” e, muitas vezes, enviadas para o exílio em ilhas remotas do Mediterrâneo.

A OVRA italiana era o equivalente da Gestapo alemã e, na verdade, serviu de modelo para esta. Heinrich Himmler, que assumiu o comando da Gestapo em 1934, reuniu-se repetidas vezes com Bocchini e modelou a polícia secreta nazista com base na polícia secreta italiana. Os chefes das duas organizações policiais chegaram mesmo a assinar, em 2 de abril de 1936, um protocolo secreto para maior cooperação e colaboração.

Durante a II Guerra Mundial, a OVRA foi usada por Mussolini para controlar os grupos de resistência nos Balcãs, especialmente o Exército de Libertação Nacional comandado pelo revolucionário iugoslavo Tito.

Em 1943, com a ocupação da Itália pelos Aliados, os agentes da OVRA ainda tentaram recrutar agentes duplos para se infiltrar na agência militar secreta britânica (a Special Operations Executive – SOE), mas tais esforços não conseguiram deter a queda de Mussolini. Com o estabelecimento da República de Salò, no norte da Itália, muitos agentes da OVRA ainda se dirigiram para o último reduto de Mussolini e lutaram até a morte do dirigente fascista pelos partisans italianos, em 28 de abril de 1945. Símbolos do regime fascista de Mussolini, os agentes da OVRA foram os principais alvos dos partisans comunistas.

Com o término da Guerra, a OVRA foi oficialmente dissolvida, muito embora determinadas leis repressivas do regime fascista, bem como alguns instrumentos da polícia secreta, como o Registro Político Central, tenham sido mantidos e atualizados.

OVRA
Polícia política do fascismo foi criada para ajudar o regime de Mussolini a reprimir os trabalhadores.
Fundado em

1927

Tipo de Instituição

Policial

Resumo

Organização para a Vigilância e a Repressão do Antifascismo foi um dos aparatos do Estado fascista responsáveis pela perseguição aos dissidentes. Destaca-se seu nome nada demagógico.